
Com a Selic em queda ao longo de 2026, será que a poupança já alcançou o CDB? Fizemos a conta com R$ 10 mil, imposto de renda e segurança, em linguagem simples.
Você já parou pra pensar se o dinheiro guardado na poupança poderia estar rendendo mais? Durante muitos anos, a caderneta foi o lugar “seguro” onde o brasileiro deixava suas economias, e muita gente nunca chegou a comparar.
Em 2026, essa pergunta voltou com força. A Selic, que estava em 14,75% em abril, foi reduzida pelo Copom para 13,75% ao ano em setembro. Juros menores mudam a conta dos investimentos, e a dúvida é natural: CDB ou poupança, qual rende mais depois dos cortes da Selic?
Neste guia, você vê quanto cada um rende com R$ 10 mil em 12 meses, como funciona o imposto de renda e o que muda em segurança e liquidez.
O que a queda da Selic muda nessa comparação
A Selic é a taxa básica de juros do país, definida pelo Copom, o comitê do Banco Central. Ela serve de referência para boa parte da renda fixa. O CDI, taxa usada nos empréstimos entre bancos, anda quase colado nela: em 17 de setembro, depois do corte, estava em 13,65% ao ano.
Na prática, quando a Selic cai, o CDB que paga um percentual do CDI rende menos. A poupança segue outra lógica. Conforme o Banco Central, enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, ela rende 0,5% ao mês mais a TR.
Ou seja, o CDB sente a queda dos juros logo, e a poupança só sentiria se a Selic chegasse a 8,5%. É por isso que a diferença diminui, mas não desaparece.
Como a poupança rende hoje
A poupança soma dois pedaços: 0,5% ao mês fixos e a TR (Taxa Referencial). Com a TR atual, o rendimento total está em torno de 0,67% ao mês, o que dá cerca de 8,3% ao ano.
Para pessoa física, o rendimento é isento de imposto de renda. Mas ele só é creditado na “data de aniversário” do depósito, detalhe que a gente explica mais abaixo.
Como o CDB rende hoje
No CDB, você empresta dinheiro ao banco e recebe juros por isso. Quando o CDB paga “100% do CDI”, ele rende o mesmo que o CDI: hoje, cerca de 13,65% ao ano, antes do imposto.
Atenção a um ponto: nem todo CDB paga 100% do CDI. Muitos, principalmente os de liquidez diária, pagam um percentual menor. Por isso, o primeiro passo é sempre conferir quanto o produto paga em relação ao CDI.

Poupança ou CDB: quanto rende R$ 10 mil em 12 meses?
Veja a simulação com as taxas de hoje, mantidas por um ano:
| Item | Poupança | CDB 100% do CDI |
|---|---|---|
| Lucro bruto | R$ 834,00 | R$ 1.365,00 |
| IR (17,5%) | Isento | R$ 238,88 |
| Lucro líquido | R$ 834,00 | R$ 1.126,12 |
| Valor final | R$ 10.834,00 | R$ 11.126,12 |
| Taxa líquida ao ano | cerca de 8,3% | cerca de 11,3% |
Mesmo depois do imposto, o CDB ficou à frente por cerca de R$ 290 em um ano. É bem menos que a diferença de quando a Selic estava em 14,75%, mas continua sendo uma vantagem real.
Nota: simulação com valores aproximados. As taxas mudam com o tempo, e o resultado real depende do percentual do CDI que o CDB paga e da TR do período.
E o imposto de renda no CDB?
Um erro comum é fugir do CDB por causa do imposto. Só que o imposto incide apenas sobre o lucro, não sobre o valor investido, e a alíquota diminui com o tempo:
| Prazo do investimento | Alíquota de IR |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
Por isso, quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, menor o imposto. Já em resgates com menos de 30 dias, ainda pode haver cobrança de IOF. Quem quer um caminho isento de imposto também pode conhecer as LCI e LCA, que seguem sem cobrança de IR para pessoa física.
E se a Selic continuar caindo?
Essa é a dúvida de quem está acompanhando os cortes. Com a TR de hoje e um prazo de um ano, um CDB precisaria pagar em torno de 75% do CDI para empatar com a poupança. E, para o CDB de 100% do CDI empatar, o CDI teria que cair para perto de 10% ao ano.
Isso mostra que a vantagem encolhe a cada corte, mas ainda existe uma boa margem. Vale lembrar que é uma projeção: ninguém garante o rumo dos juros, e prazos mais curtos têm imposto maior, o que reduz a diferença.
Liquidez e a “armadilha do aniversário”
Muita gente defende a poupança pela facilidade de saque. Só que ela tem a data de aniversário: se você depositou no dia 5 e retirou no dia 4 do mês seguinte, perde os juros daquele mês.

O CDB de liquidez diária rende dia a dia e permite resgate a qualquer momento, com o lucro proporcional. O ponto de atenção, como vimos, é que esse tipo de CDB costuma pagar um percentual menor do CDI.
Segurança: o FGC protege os dois
Tanto a poupança quanto o CDB são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira ou conglomerado, com um limite global de R$ 1 milhão por CPF a cada 4 anos.
A garantia ajuda, mas não substitui conhecer a instituição. Se você quer aprender a avaliar isso, veja como analisar a saúde financeira de um banco antes de investir.
Perguntas frequentes sobre CDB e poupança
CDB ou poupança: qual rende mais?
Nas contas de hoje, o CDB de 100% do CDI rende mais: cerca de 11,3% líquidos ao ano, contra cerca de 8,3% da poupança. A diferença diminuiu com a queda da Selic.
Preciso pagar imposto de renda na poupança?
Não. Para pessoa física, o rendimento da poupança é isento.
O CDB tem risco?
Existe o risco de crédito do banco emissor, mas o CDB é coberto pelo FGC até R$ 250 mil por CPF por instituição, respeitado o limite global.
Dá para resgatar o CDB a qualquer momento?
Só os de liquidez diária. Os CDBs com prazo definido podem ter carência, e resgatar antes pode não ser possível ou reduzir o ganho.
O que significa “100% do CDI”?
Que o CDB paga exatamente a taxa do CDI. Um CDB de 90% do CDI paga 90% dessa taxa, e assim por diante.
Conclusão: a diferença encolheu, mas continua
A queda da Selic aproximou a poupança do CDB, mas não fechou a conta. Com R$ 10 mil e as taxas de hoje, o CDB de 100% do CDI ainda rende mais que a poupança mesmo depois do imposto, e a comparação só muda de figura se os juros caírem muito mais ou se o CDB pagar bem menos do CDI.

Qual opção faz sentido depende do seu prazo, da necessidade de resgate e do produto que você encontrar. Conhecer os números é o primeiro passo para decidir com segurança.
Fonte: Banco Central do Brasil (dados de 17/09/2026) e FGC. Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento.
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